quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

  Bora transbordar alguma coisa!
  Há tempos não escrevo, e acho que talvez esteja fugindo de mim; e esse é um bom assunto para pensar.  Tenho consciência que pensar sobre a vida não é algo benéfico para a auto-estima, não quero aprofundar isso porque não estou preocupada que alguém  entenda, mas vou reforçar dizendo que é por este motivo que a maioria das criaturas preferem falar sobre Outros. 
  Ultimamente minha vida tem seguido uma rotina, não exatamente de horários, e sim de atividades necessárias; resumindo: -Estou no mundo das fraldas e mamadeiras! Isso tem me deixado com pouco tempo pra mim, e sinceramente, sinto muita falta, mas também acredito de seja bom não ficar tentando entender tudo que sinto. Pois embora eu me sinta menos feliz perante algumas possibilidades; também me sinto menos triste diante do que tenho.
  Tenho sentido muita falta de sentir minha família perto de mim;  não só pela distância que foi arraigada e crescente, e sim pela presente ausência, por tudo aquilo que não se teve; e que hoje parece incomodar cada vez mais a mim, e aparentemente, só a mim. Espero que consiga resgatar e suavizar isso tudo com a família que escolhi ter, já que o passado é irretocável.
   A maturidade têm me arrancado migalhas, e de migalha em migalha acho que fui me desfazendo, hoje sinto falta do exagero; da angústia desfreada; do frio da barriga; do choro com soluços; da inocência que cega, mas que na verdade, salva. 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012


Se os olhos são a janela da alma, a língua pode ser o portal do inferno!
Amar alguém é como ter um diamante de cacos de vidro, frágil e barato, que pode se quebrar a qualquer instante num simples ato... às vezes tenho dúvida se isso é Amor!
O  Amor não devia ser incondicional?!  Pelo menos o meu não é!
Nada resiste a tudo? E tudo resiste a nada?
Tudo que sinto e a falta de sentimentos me tornam vunerável  a pequenos cacos de vidro. Não consigo enxergar  se não na forma que aprendi, minha imaginação faz limite com meu Amor próprio, e esse sim é incondicinal!...


Ter a sensação que de repente não se poderá mais voar é estranho!
Algumas coisas são tristes de saber. Mas pior é quando se pode se ver um pouco de si na confusão do outro.
Fazia tempo que não escrevia por aqui! Tinha o que dizer, mas não sabia bem ao certo o que.
Agora não tenho o que dizer... Parece ser apenas uma auto-afirmação do que eu já esperava. E penso que não tem explicação! Apenas acontece e não se pode morrer por isto!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012




As palavras não  sabem. Palavras são abstratas como qualquer definição. Mas, tudo bem!  A realidade não é concreta nem perante o ato.  Todos querem  apenas tocar e serem tocados!  E ninguém deseja ser  ninguém, porque ninguém não tem plural,  e como é triste um Ser só...

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Penso, sinto; logo enxergo...

O problema é que o nosso olhar é condicionado pelo reconhecimento”. Está frase presente no documentário de Henri Cartier-Bresson resumiu a maneira como encaro a sociedade.
  É tão solitário o nosso olhar diante da realidade, que muitas vezes acaba gerando um sentimento de exclusão ao percebe-la indiferente ao ideal que cada um possui de bem e mal, justo e intolerável; resultando uma sensação de limitação no Ser. Não se indentificar com o que se vê, nos torna apáticos ao Outro.
  Dar valor ao que se reconhece é um instinto percebido desde o princípio da vida de cada um. Ver e reconhecer dão origem ao sentir?... Sei lá! Talvez as pessoas somente são importantes quando decodificadas como qualquer signo, e a partir daí,  ganha um valor simbólico de importâcia.. Se for assim, Vinícius de Morais tem toda razão ao mencionar que “ Mais vale um coice de uma borboleta, do que um beijo de um cavalo”. Não é o ato, e sim a representação do elemento.
  Lembro de um senhor presente no documentário “Janela da alma” dizendo que se Romeu enxergasse como um Gavião, ele jamais se apaixonaria por Julieta. Acredito que enxergamos o suficiente para não desistir da vida, e claro, privilegiando o umbigo de cada dia.
 A tristeza e a dor deixa qualquer um mais sensível e isso reflete na  percepção, pois se percebe a fragilidade sem o Outro. Mas, então, aprende-se com o sofrimento ou apenas se vê além depois do fato concluído?
  Penso que o Ser, egoísta por natureza, aprende a olhar quando ameaçado ou interessado. Ameaçado pela morte, ou interessado devido a perda. E tudo isso está relacionado ao Amor.  Amores que morrem com o tempo e que se perdem durante a vida. Henri tem razão quando brinca ao dizer que não se aprende a olhar, do mesmo modo que não se aprende a amar. Aprende-se a ver o passado, mas como não se pode voltar no tempo e refazer tudo a partir do “erro”, então nunca se pode dizer que se aprendeu de fato, já que na prática nunca se saberá se o que se “aprendeu” teria funcionado se usasse anteriormente.

...




... sonhando

segunda-feira, 27 de junho de 2011


Poderia escrever milhões de coisas e no fim tudo se resumiria em um breve “Não sei”.
Você é o sorriso de Monalisa! Não tem como saber o por que dos teus atos, então desisti em olhar-te. No entanto, sem finalidade alguma, sempre me pego sonhando ou tentando te decifrar.
Não descobri como deixar de pensar em ti, apenas aprendi a respeitar meus limites, aceito minha fragilidade, e por isso, sei que necessito ficar longe.
Como se fosse algodão doce, você se dissolveu e sumiu... O gosto que ficou foi amargo, e marcou o fim da minha inocência. - Era pra ser doce! 
O Tempo foi como água, e ajudou a engolir tudo. Não sei dizer exatamente o que ficou... Só sei enxergar o que possuo agora, um algodão doce na mão, e que não quero fazer desaparecer por qualquer luxúria.
Que seja doce o fim, que seja surpreendente o meio, e que o amargo seja apenas a primeira impressão disso tudo. 

quinta-feira, 26 de maio de 2011

“...E que minha loucura seja perdoada...” (Perfil do Cristiano)


O destino parece óbvio... Dono de passos apressados e sem rumo, segue, todo dia, e sempre chega a lugar nenhum. Pouco percebido, costuma causar incomodo apenas quando transita em espaços inconvenientes; estragando a cegueira com seu aroma de descaso. Quando exposto na escuridão, lembra uma espécie de bicho Papão dos contos urbanos; por vezes provocava medo. Pena não! Pena é feio sentir...

   A entrevista é comprada por dois cigarros. E o local é apropriado para deixar Cristiano a vontade para falar. Mas, ficar a vontade parece não ser o suficiente, não pelo pudor, e sim pela dificuldade de lembrar.
Nome? Cristiano. Ele não soube dizer o sobrenome, tentou lembrar, fez umas caretas, e nada... Percebi que não lembrar deixou-o triste. Então, vamos para a próxima pergunta. O sobrenome não deve ser tão importante assim...
Idade?...
Cristiano sorri. Coloca as duas mãos na cabeça, e começa a balançar o corpo. Olha fundo nos meus olhos, como se a resposta estivesse lá. E nada... Alguns resmungos e com um movimento quase agressivo, levanta do chão onde estava sentado e sai andando a procura de fogo para acender o primeiro cigarro. Fico sentada, e na dúvida se ele irá voltar... Ele volta...
- Você tem 27 ou 28 anos Cristiano?... Já que nos olhos não carrego respostas, tento ajudar.  Ele coça a cabeça e responde: -É... isso ai!
-27 ou 28 anos, qual é sua idade?...- Não sei.  Mais umas caretas, e sorrisos. Cristiano fuma com prazer o cigarro e solta a fumaça com certa delicadeza, e depois dá tapas no ar para dispersá-la.
Um amigo de infância de Cristiano havia me dito a idade sem muita certeza. – Ele tem 27 ou 28. A gente estudou junto quando era criança. Éramos do mesmo grupinho, e eu também usei drogas. No nosso grupo todo mundo começou usar mais de brincadeira que por curiosidade; eu consegui sair fora, alguns outros moleques morreram por motivos relacionados ao vicio, alguns foram presos, e o Cristiano está por ai, perdido no seu próprio mundo.
Vitrines iluminadas. Gente caminhando. Carros desfilando. Música e barulho. Gritos, gargalhadas e murmúrios... Várias marcas e cores expostas contrastando. Caras marcas! E Cristiano ali... Agachado, fazendo gestos de algo que não acontece; trocando palavras com quem não existe. Um personagem atraente devido a contradição de palavras pronunciadas, e ao mesmo tempo, sem palavras que defendessem alguma idéia ou ponto de vista para que eu pudesse escrever. Também procurei respostas em seus olhos, e por algum motivo, senti felicidade em vê-los brilhar. Ele não tinha ganhado nenhum presente, mas mesmo assim seus olhos pareciam cintilantes. Efeito da droga ou um resquício de esperança?
O estranho conhecido não me provocava estranheza. Parece já fazer parte do cenário. Estabelece um moderno sentimento de auto-suficiência, que sou incapaz de definir. Com seus pés descalços, de repente saiu correndo feito louco... Observei os movimentos desajeitados que fazia a cada passo. Achei que iria voltar e fiquei a esperar... Cristiano não voltou!
Depois de alguns minutos, levantei do chão e fui embora. Alguns comerciantes na praça ficaram me olhando. Acho que eles não entenderam qual o motivo que me levou a conversar com Cristiano. – Ainda bem que as respostas não cabiam no meu olhar, ninguém gosta de se mostrar tão fácil assim...