quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Penso, sinto; logo enxergo...

O problema é que o nosso olhar é condicionado pelo reconhecimento”. Está frase presente no documentário de Henri Cartier-Bresson resumiu a maneira como encaro a sociedade.
  É tão solitário o nosso olhar diante da realidade, que muitas vezes acaba gerando um sentimento de exclusão ao percebe-la indiferente ao ideal que cada um possui de bem e mal, justo e intolerável; resultando uma sensação de limitação no Ser. Não se indentificar com o que se vê, nos torna apáticos ao Outro.
  Dar valor ao que se reconhece é um instinto percebido desde o princípio da vida de cada um. Ver e reconhecer dão origem ao sentir?... Sei lá! Talvez as pessoas somente são importantes quando decodificadas como qualquer signo, e a partir daí,  ganha um valor simbólico de importâcia.. Se for assim, Vinícius de Morais tem toda razão ao mencionar que “ Mais vale um coice de uma borboleta, do que um beijo de um cavalo”. Não é o ato, e sim a representação do elemento.
  Lembro de um senhor presente no documentário “Janela da alma” dizendo que se Romeu enxergasse como um Gavião, ele jamais se apaixonaria por Julieta. Acredito que enxergamos o suficiente para não desistir da vida, e claro, privilegiando o umbigo de cada dia.
 A tristeza e a dor deixa qualquer um mais sensível e isso reflete na  percepção, pois se percebe a fragilidade sem o Outro. Mas, então, aprende-se com o sofrimento ou apenas se vê além depois do fato concluído?
  Penso que o Ser, egoísta por natureza, aprende a olhar quando ameaçado ou interessado. Ameaçado pela morte, ou interessado devido a perda. E tudo isso está relacionado ao Amor.  Amores que morrem com o tempo e que se perdem durante a vida. Henri tem razão quando brinca ao dizer que não se aprende a olhar, do mesmo modo que não se aprende a amar. Aprende-se a ver o passado, mas como não se pode voltar no tempo e refazer tudo a partir do “erro”, então nunca se pode dizer que se aprendeu de fato, já que na prática nunca se saberá se o que se “aprendeu” teria funcionado se usasse anteriormente.

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