segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A compra da queda

Construído em 1961, da noite para o dia, o Muro de Berlin dividiu a Alemanha em Ocidental e Oriental, e somente 28 anos após a obra, o muro que foi símbolo maior da Guerra Fria perdeu sua força e teve fim.
A história do muro que deveria ser somente de vergonha é encilhada pelo capitalismo e exposta com glamour sem barreiras. Com 1.065 cruzes que servem de arquitetura sombria, para relembrar inúmeras mortes ocorridas nas tentativas frustradas de escapar da Alemanha Oriental; e com turistas que compram partes do muro que até hoje restam como lembrança da dor dos “derrotados”; o fracasso socialista soviético é assim exaltado durante duas décadas da inexistência de obstáculos “concretos” que não garantiram o fim da intolerância.
As enormes agitações sociais que movimentaram o século passado traziam consigo o golpe sofrido por alemães que foram cultivados pela vingança, sendo traídos pela persuasão; e logo, pelo poder dado com esperança a quem destruiu o resto que lhes sobravam.
A intolerância adquirida na 1º guerra mundial floresceu na 2º guerra mundial, e exalou consequências na Guerra Fria, matando não somente vidas; matou o fanatismo comunista; pois a corrupção é o único meio de acabar com fanáticos. Mas é necessário lembrar que fanáticos não são bandidos como se é retratado, pois fanáticos matam para defender uma ideia.
O capitalismo que hoje deixa a porta sempre aberta para a desigualdade é dado como ideologia, onde não fanáticos, e sim bandidos, roubam a vida sem ser capaz de proporcionar uma morte digna, cultivam tudo o que foi adquirido com a humilhação repetida na maioria das sociedades, tendo seus muros todos os dias fortificados pela violência contra a sociedade igualitária.
Concluindo, revoluções constroem muros, e esses provocam a fragmentação do mundo; o número de cruzes somente indica quem não foi lembrado; definindo como o maior símbolo de destruição o que posteriormente pode ser transformado em produto.

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