quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Prisioneiro do Caos?

As maiores frustrações ocorrem sempre devido aos grandes amores. E diante das decepções percebe-se que os sentimentos intensos produzem dificuldade de expressão e até de convivência. O excesso sempre causa caos interior. Estar no caos é ter o próprio mundo em desordem e não conseguir encaixar as peças que constroem a ponte, o único meio de ligação que sua ilha particular dispõe para não ser deserta.
O excesso que atordoa gera a necessidade de extravasar. E por que não escrever? Organizar as ideias, literalmente. Para isso é essencial ser capaz de diferenciar, saborear e apreciar as sensações. É imprescindível ser transparente e sutil no uso da percepção, pois não se pode moldar um sentimento após ele nascer. Então, crie o ambiente saudável para seus filhos!
Filhos? É... Criar personagens é como gerar filhos. Durante a gestação se imagina características de acordo com o que se vê em outros seres de papel ou de carne. Mas quando ele nasce, descobre-se que a criaturinha tem personalidade própria, identidade. Malicioso, inconsequente, manhoso, tendencioso, ignorante, impaciente, tagarela, indiscreto, vaidoso, insolente, mal educado; foge as tradições e não totalmente aos costumes; e tudo isso ainda não é o suficiente para destruir o orgulho dos pais. Pois o rompimento do cordão umbilical é incapaz de interromper a conexão. É uma espécie de cumplicidade incondicional.
Assim como toda relação, a intimidade com a escrita cresce com a convivência, dando espaço a uma determinada falta de respeito com a linguística. Neste caso, pode ser favorável, pois facilitara o envolvimento do leitor com o cenário proposto. Consequentemente, deixara mais evidente a identidade dos personagens.
Há inúmeras tentações perante o caos, que na escrita podem causar estresse, dor de cabeça. Entretanto pode também ser a trilha para a inovação, o esconderijo certo para encontrar o estilo peculiar de persuasão, com aparente falta de pretensão, mas que envolve até atingir o ponto G do leitor. Ou seja, é obrigação acabar com as tentações! Como? Ué, caindo em tentação. Se der errado, dê lugar à indiferença. Tentação não é casamento. Você não precisa de advogado para resolver este deslize... Extermine seus medos. Ser conservador então? Nem pensar! Existe necessidade de aventurar-se para testar a potencialidade deste relacionamento. Não se contente com uma musa, vá atrás de meretrizes sem luxo! Tenha como exemplo Zeus, que na verdade era um canalha, mas por merecimento. Poh, o cara deu vida à magníficas criaturas.
Brinque de Zeus, Deus, ou de cientista maluco! Dê valor para cada palavra utilizada. Acredite ter um grande tesouro, e que é necessário escondê-lo para gerar cobiça em piratas que você deseja prender. Desenhe primeiramente o mapa, use como isca suas maiores preciosidades. Escolha uma estratégia! Crie o cenário apropriado para captura. Deixe pistas eficientes para eles chegarem até você. A busca deve ser tão atraente quanto o tesouro. Tens dúvida se irá despertar a cobiça dos piratas? Pense... Você iria do Oiapoque ao Chuí atrás deste tesouro? A consistência da resposta depende da sua empatia. Seja uma fiel cobaia da sua criatividade!
A trama textual pode ser de drama, comédia, suspense, romance. Pode tudo! Ah, se quiser criar uma constituição, fica ao seu critério! O final pode ser o começo, a ordem não importa; o meio independentemente existirá, mas faça dele um recheio. Digamos que um recheio de mãe. Torne-se íntimo, mas nunca previsível. E lógico! Não exagere nos adjetivos, leve em consideração que no ponto de vista dos pais, os filhos sempre são extremamente qualificados para tudo. Assuma uma postura critica de madrasta de fábula. Corte as tranças de Rapunzel sem dó, aquele cabelo é um grandessíssimo exagero! Mas não use maças envenenadas como instrumento de ataque, prefira a ironia, seja hostil com eloquência. Use o Pequeno Polegar como exemplo de inteligência!
Ultrapasse as barreiras! Não seja prisioneiro do Caos. Crie... Escreva... Pinte com palavras o arco-íris, dê vida ao abstrato. Acaricie no ritmo de uma melodia. Rompa o branco da página com o Sol da perfeição. Tenha olhos curiosos com traidores olhos oblíquos. O tema pode ser a morte, no entanto, é sempre Zeus proporcionando eternidade ao Homem.

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