Hoje o friozinho me fez sentir saudade de casa, e dos pampas... Fiz uma seleção de músicas que me lembram praticamente minha vida em versos, com bandas de rock gaúcho... Tomei chimarrão como dizem por lá, sólita no mas... Com a janela aberta senti o vento fresco acariciar meu rosto e me venho trechos dos livros que formam a trilogia "O tempo e o vento" de Érico Veríssimo... Principalmente o primeiro livro, "O Continente", e com o assobiar do vento bateu uma certa nostágia... Fiquei pensando na minha incapacidade perante o tempo e o vento... Fico triste por coisas que não tenho poder para mudar, fico feliz por coisas que não existem de fato... E a única coisa que permanece é o tempo que sinto, e o vento que sopra lembranças intocáveis em todos os sentidos...
"Venta
Ali se vê...
Onde o arvoredo inventa um ballet
Enquanto invento aqui pra mim
Um silêncio sem fim
Deixando a rima assim
Sem mágoas, sem nada
Só uma janela em cruz
E uma paisagem tão comum
Telhados de Paris
Em casas velhas, mudas
Em blocos que o engano fez aqui
Mas tem no outono uma luz
Que acaricia essa dureza cor de giz
Que mora ao lado e mais parece outro país
Que me estranha mas não sabe se é feliz
E não entende quando eu grito
O tempo se foi
Há tempos que eu já desisti
Dos planos daquele assalto
E de versos retos, corretos
O resto da paixão, reguei
Vai servir pra nós
O doce da loucura é teu, é meu
Pra usar à sós
Eu tenho os olhos doidos, doidos, já vi
Meus olhos doidos, doidos, são doidos por ti" (Telhados de Paris- Nei Lisboa)
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