sexta-feira, 1 de abril de 2011

Palavras ao vento

Tanta coisa na cabeça que fica difícil de escrever...
Que desordem!
Já na cama, no escuro em meu quarto, fiquei pensando como somos escravos da Palavra. Eu sei, isso lá é coisa pra pensar antes de dormir. Bom, o fato é que depois de começar a pensar demais chega a insônia, e se eu não escrever, amanhã esqueço tudo, e também agora preciso escrever se quiser dormir mais depressa, jogar tudo isso fora, antes que eu pire. Então o jeito é escrever, porque a esta hora dar um ataque de esquizofrenia não é legal, andar na rua até diminuir a ansiedade não é seguro, e ainda tem o agravante que está chovendo...
O que eu estava pensando é bem profundo, talvez até ridículo. Acho que a chuva me deixa meio sensível...
Eu sempre quis entender os sentimentos, todos eles. Sentir dor, sentir medo, sentir amor, Sentir apenas... Desde criança fico admirando a reação das pessoas, e até dos animais, e acho que com o tempo muitos ficaram óbvios, mas mesmo assim, sempre atraentes.
Na adolescência, depois de um primeiro amor avassalador venho a dor da perda. Aquela dor sem ferida era algo novo, foi tão complicado entender com ela machucando ao mesmo tempo. Depois de muito tempo, muito mesmo, percebi o que tudo aquilo significava.
Quando se é inocente, se é mais feliz. Como é doloroso não poder acreditar nas palavras. Como é doloroso não respeitar as palavras. Ahhh... E como é estúpido acabar fazendo o que se repudia.
Lembro bem que a primeira vez que disse “eu te amo”, nem era amor, e eu sabia. Lembro que quando disse com intensa verdade nas palavras “eu te amo”, a pessoa nem se importava mais com elas, estavam atrasadas, e eu sabia. Era a mesma pessoa, eram as mesmas palavras, eram diferentes situações, sim, eram as mesmas palavras.
Hoje percebo que fiquei sem muitas palavras, porque não posso oferecer nada além de um “eu te amo”. Isso deveria ser o auge do que sinto, mas isso se tornou tão pouco.
Reduzimos nossa intensidade através das palavras, vomitamos sentimentos a todo momento...
Sinto-me tão frágil perante as Palavras! Sei sentir ou sei o que sinto? Às vezes eu fico em dúvida com isso! As palavras me limitam, cercam-me com suas letras, e me deixam assim, sem saber o que dizer... Sem ter o suficiente para falar...
Tornei-me uma pessoa incapaz devido as minhas próprias palavras. Tornei-me escrava delas. Sei que ninguém é o que diz, mas se pode medir a intensidade de cada sentimento se usar as mesmas palavras? Cada palavra tem um sentido único, não há sinônimo capaz de substituí-las, e eu só queria saber usa-las de forma sensata, mas parece que após perder a inocência, se perde também a intensidade.
No primeiro amor acreditamos que vai ser pra sempre, e daí nos jogamos, nos doamos; depois de descobrir que não é, deixamos de ser inocentes, nos preservamos, e logo, deixamos de viver o todo, porque se tem medo da dor, sentir dor e não ter remédio é terrível, assombra a todos. Daí, deixamos de sofrer e de viver... A maturidade nos deixa cínicos e incapazes de se entregar, e assim, nos moldamos com a forma do ópio, mas nem por isso passamos a ser felizes.
Alguns dias atrás me questionei sobre o que estou sentindo no momento. Bom, eu me sinto como uma criança, ou seja, estou me permitindo ser inocente, e isso não é necessariamente não ter medo de sofrer, porque na verdade eu só quero viver, mesmo que tenha que sentir dor para saber que estou viva.
Só tenho medo de não falar o suficiente, porque sempre somos capazes de sentir, somos egoístas por natureza, então, isso nunca vai ser complicado. Mas e as palavras?... O que devo guardar? O que devo deixar o vento levar?
Tinha mais coisa a gritar na minha cabeça, mas esqueci... Acho que só pensamos e sentimos de verdade no escuro. Então, vou apagar a luz agora...

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