Escrever é minha maior paixão, e foi escrevendo que descobri a mim. Porque a forma mais simples de traduzir realmente quem sou é por meio de palavras vindas de mim mesma...
terça-feira, 19 de outubro de 2010
sábado, 25 de setembro de 2010
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
O arco íris da vida
Primeiro, os humanos em cores.
E depois, o fim, um mundo Preto e Branco.
Em geral é assim que vejo as coisas...
UM PEQUENO DETALHE:
- Sua essência é multicolorida.
Por favor, confie em mim... Absorvo sua tristeza e euforia, e isso possivelmente pode me tornar atraente. Não sei explicar este dom ou defeito, mas com absoluta sinceridade te digo: - Não sinta medo do que sente por mim! Sei que é estranho minha imagem surgir frequentemente em seus pensamentos, mas não se preocupe! Não te farei mal algum...
ISSO ASSUSTA VOCÊ?
- Insisto! Não tenha medo de mim...
Sem apresentações! Nesta história que estou prestes a contar, os humanos são os únicos a contrastar. Mas não esqueça, o Preto e o Branco se limitam à dor e a morte.
A TEORIA DOS MEUS OLHOS:
- O conhecimento ilumina a carne, sendo
os olhos o portal da luz divina, que num ato
explícito deixa extravasar suas cores.
Uma multidão de cores! A distração, como já deve imaginar, reflete todos os dias... Faça chuva ou sol, um amontoado de contrastes atrai meu olhar, criando um cenário colorido diante de olhos que vivem a sofrer pelo devaneio de sentimentos alheios.
Não sei bem como começar, quem sabe o fim?... O fim é Branco ou Preto. Voltamos ao começo. Melhor assim! Isso não é uma fábula. Mas, iludir-se que seja talvez faça sua mente reagir mais racionalmente, permitindo pensar com bom senso em relação aos fatos. Então, caso te deixe mais a vontade, era uma vez...
Imagine uma pessoa como um foco de luz. Após, contorne seus contornos com cores... Termino?... Chegue perto dela, e absorva em ti a cor que tiver maior destaque. É assim que começa a angústia. Um dia, e muitas vezes durante o mesmo, se rouba sem intenção um pouco da cor de cada Ser, e ao final dos dias, em meio à solidão da noite, irá transbordar algo que machuca dentro de você, mas não é seu! E não há como tirar esse sofrimento sem ferida.
DÚVIDAS COMEÇAM A ATORDOAR?
- Calma! Por favor, não deixe uma cor sobrar,
pois à noite logo chegara, e eu não quero sufocar
por algo que me sobra e não é meu. Só hoje!
Partirei do princípio! A primeira vez a usufruir das cores na verdade não lembro; só recordo da descoberta de compreender que vê-las era algo peculiar a mim. O ato de contestá-las causou furor aos Seres que rodeavam minha existência. Então, com medo de parecer estranha perante aos Outros, calei-me... No entanto, não foi o suficiente para desbotar o meu jeito de olhar.
DESCRIÇÃO DAS CORES:
Azul aconchega
Chocolate entristece
Amarelo embriaga
Cinza assombra
Lilás seduz
Rosa empolga
Verde saudade
Roxo enfurece
Laranja atordoa
Vermelho perturba
Algumas pessoas assombram meus dias sem saber. Muitas vezes a vontade que tenho é uivar de dor! Sinto afogar-me em um mar de chocolate. A aflição da perda cria um abismo interior, que costumo diminuí-lo, chamando-o de vazio. É tanta tristeza a machucar, que surge o desejo de ferir a carne para esvair a dor que inunda a alma.
Equilíbrio é algo que não depende de mim... Às vezes penso que Pandora abriu um baú de tintas!... O ópio não é Branco nem Preto. O ópio é a solidão! Mas como tenho minhas próprias cores, que são essências, também necessito de retoques.
Enfurecida pintura que perturba o aconchego e embriaga meus sentidos! Você já perdeu alguém? Ou melhor, já perdeste suas cores?... Sorte ou azar! Há sempre alguém pré-disposto a repintar sua existência. Osmose de dores!... Uma quase harmonia devido ao complemento satisfatório, uma aquarela em arcos equilibradamente distribuídos... O vermelho normalmente tende a sobrepor os Seres Cor-de-rosa!
UM DOLORIDO HÁBITO:
- Chocolate é minha perdição!
Confesso que saborear a tristeza dos
Outros às vezes quase vicia...
Você já reparou que Tristeza não precisa de luz? Exibi-se na carne opaca e sem brilho, e mesmo assim atrai sua atenção... Não é incrível ter somente a terra como pano de fundo?... Não se aborreça com meus maus costumes! Essa terra volta a ser fértil após intensas chuvas, embora que seja um temporal de lágrimas a cair; é uma espécie de degeneração da inocência para regeneração da razão...
ARQUIVO PESSOAL:
Sangue é Amor! Doar?... 49 % no
máximo... Lembre-se! Amor não se compra;
então, não desfaça-se de sua propriedade.
Alerta!... Amor é o sentimento que corrompe a sensibilidade, ofusca os olhos, causa entropia e desarmoniza o jeito de olhar. Vou tentar ser mais clara!... Desculpe! Não posso! Não vou doar o sangue que tenho para servir-lhe como argumento... E talvez, amar não seja ainda o suficiente para dominar o assunto. O Branco é algo inacessível no momento; já o Preto com certeza não é a solução! Enfim, só queria contar-lhe que o Amor não oferece outra opção. Sangra sem cessar... E não há cor que ofereça agradável mistura.
FIM:
- A cor branca é a preparação à morte.
Preto, resta a carne, a morte é fato.
Já fostes iluminado pelo brilho da despedida?... Olhos cintilantes que traduzem a tranquilidade de um corpo exausto, ou apenas pronto para partir. Claro! Aqui não existe cor mais pertinente que o Branco. Perfeita fusão de todas as cores! Une-se a luz da Carne com a da Aura. Bem-vindo à paz!...
Olhar negro! Cadê suas cores?... Falar disso não entristece. Não tem nada a ver com consumir chocolate e após ficar com a consciência pesada. Preto significa o Não-Ser; aquele ninguém que não gera dor, pois é vazio, não assombra nem seduz, não perturba nem deixa saudades. Preto é o mendigo do arco-íris, que não se alimenta de cores, e vive solitário... O Preto escurece o céu, enegrece as águas, oculta o sangue. O Preto é a morte a vagar pelo mundo, sem cor e sem luz!
Chegamos ao fim!... Por favor! Volte ao começo! Deixe suas lágrimas caírem sobre o chão de chocolate, a dissolver num chuvoso dia de sol. Após, aprecie o arco-íris da Vida!
Cores!
Seu cheiro ensandece, seduz e, por fim, guarda em minha memória a importância deste momento. Registra a pureza de um sentimento, ou simplesmente a harmonia que há entre o amor e a indiferença.
A pressa de te possuir é sutil. Um botão após o outro... O contato da pele se dá. Sem pudor, com urgência de sentir prazer. Delicados gestos em meio a atos insanos. Seu corpo introduz o instinto malicioso, enquanto que o meu se submete ao desejo inocente de apenas querer estar ali...
Acaricio seus lábios com a ponta dos dedos. Olho seus olhos, sua boca... Encosto meus lábios aos seus, sinto seu hálito e respiro seu suspiro. O encaixe é perfeito. O beijo suspende qualquer pensamento. O corpo estremece, e no impulso fico suscetível aos seus caprichos.
A compra da queda
A história do muro que deveria ser somente de vergonha é encilhada pelo capitalismo e exposta com glamour sem barreiras. Com 1.065 cruzes que servem de arquitetura sombria, para relembrar inúmeras mortes ocorridas nas tentativas frustradas de escapar da Alemanha Oriental; e com turistas que compram partes do muro que até hoje restam como lembrança da dor dos “derrotados”; o fracasso socialista soviético é assim exaltado durante duas décadas da inexistência de obstáculos “concretos” que não garantiram o fim da intolerância.
As enormes agitações sociais que movimentaram o século passado traziam consigo o golpe sofrido por alemães que foram cultivados pela vingança, sendo traídos pela persuasão; e logo, pelo poder dado com esperança a quem destruiu o resto que lhes sobravam.
A intolerância adquirida na 1º guerra mundial floresceu na 2º guerra mundial, e exalou consequências na Guerra Fria, matando não somente vidas; matou o fanatismo comunista; pois a corrupção é o único meio de acabar com fanáticos. Mas é necessário lembrar que fanáticos não são bandidos como se é retratado, pois fanáticos matam para defender uma ideia.
O capitalismo que hoje deixa a porta sempre aberta para a desigualdade é dado como ideologia, onde não fanáticos, e sim bandidos, roubam a vida sem ser capaz de proporcionar uma morte digna, cultivam tudo o que foi adquirido com a humilhação repetida na maioria das sociedades, tendo seus muros todos os dias fortificados pela violência contra a sociedade igualitária.
Concluindo, revoluções constroem muros, e esses provocam a fragmentação do mundo; o número de cruzes somente indica quem não foi lembrado; definindo como o maior símbolo de destruição o que posteriormente pode ser transformado em produto.