O destino daquele Ninguém parece óbvio. Dono de passos apressados e sem rumo. Seguia, todo dia, e sempre chegava a lugar nenhum. O desinteresse dos seres civilizados não refletia em seus olhos sem brilho. Pouco percebido, causava incomodo apenas quando transitava em espaços inconvenientes; estragando a cegueira com seu aroma de descaso. Quando exposto na escuridão, era uma espécie de bicho Papão dos contos urbanos; por vezes provocava medo. Pena não! Pena é feio sentir...
Vitrines iluminadas. Gente caminhando. Carros desfilando. Música e barulho. Gritos, gargalhadas e murmúrios... Várias marcas e cores expostas contrastando. Caras marcas! E Ninguém ali... Agachado, fazendo gestos de algo que não acontece; trocando palavras com quem não existe.
O estranho conhecido não gera nem estranheza. Todos sabem, não é ninguém! Ele não sente... Faz parte do cenário. E não do espetáculo. Estabelece um moderno sentimento de auto-suficiência, que não tem finalidade, somente justificativa; de Ninguém para toda aquela Gente, e da Gente a qualquer ninguém.