sexta-feira, 11 de setembro de 2009

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"O triste fim de Policarpo Quaresma”

O pré-modernista Lima Barreto em O triste fim de Policarpo Quaresma" faz uma sátira ao nacionalismo exagerado, tendo como peculiaridade o Ecletismo(tendência filosófica resultante).
A obra que teve aprovação unânime da crítica, é dada como um momento de maturidade do autor.
O "romance" aponta o quadro social dos primeiros anos da República, refletida durante a história do Major Policarpo Quaresma, um adorável patriota visionário que ativa a percepção de aglutinar sentimentos contraditórios diante de um "real" contraditório.
O autor, salvo da própria subjetividade amplia e aprofunda seu enfoque social, salienta desde a época de Floriano Peixoto, para reencontrar-se no presente momento.
O ufanista e sonhador protagonista, perante ao seu cotidiano, entra em confronto com a posição de dependência acentuada do país no inicio do século XIX, que é vista por ele como desnecessária frente a abundância de recursos naturais que o Brasil oferece, criticando a distribuição de Poder e da riqueza, a infra-estrutura burocrática e o caráter agro exportador.
O contexto da obra deixa explícito a desigualdade social e demonstra o comportamento exercido pela classe média suburbana sobre a miséria de subproletariado em expansão.
As inter-relações que insere a problemática dos personagens são justificadas na forma de atuação de cada um dos mesmos.
A trajetória de Policarpo Quaresma constata a otimista mentalidade no princípio da República, que durante seu percurso só foi se mostrando inviáveis à alguns setores das classes médias, e a continua marginalização do povo inculto urbano e rural.
A intenção de Quaresma de adotar o Tupi-guarani como língua oficial do Brasil e o momento excêntrico que o major cumprimenta chorando sua visita, assim como faziam os Tupinambás, expõe de forma engraçada e cômica as culturas realmente esquecidas.
Apresenta também a questão agrícola da época, falando do apoio que o governo oferecia para a vinda dos imigrantes europeus, substituindo a mão-de-obra escrava na cultura cafeeira após o declínio da cultura açucareira.
A ideologia que consagra Quaresma é vista pelo autor/narrador com veemente aceitação que ora até leva-nós a questionar se tais idéias seriam do próprio Lima Barreto, como é destacado no seguinte trecho em que o autor intervém dizendo as seguintes palavras: “É raro encontrar homens assim, mas os há e, quando se os encontra, mesmo tocados de um grão de loucura, a gente sente mais simpatia pela nossa espécie, mais orgulho de ser homem e mais esperança na felicidade da raça. (Barreto, L.; 1915. pág.49).
O narrador crítica o positivismo que segundo ele, em nome da ordem comete violência e ferocidades, que na sua ficção é apresentado através da cena da "Matança do Boqueirão", salientando o contexto histórico que aconteceu no período do pré-modernismo no Brasil, no qual teve várias tensões internas, como: A Greve Operária em SP, a Revolta da Chibata e a Revolta da Vacina no RJ, a Guerra do Contestado no PR, Guerra de Canudos na BA entre outras.
O que chama atenção no personagem principal são os hábitos burocráticos, que persistiam mesmo durante as férias, caracterizando-o também como uma pessoa metódica. Sua mania de ler vários jornais diariamente com a finalidade de encontrar alguma notícia curiosa ou sugestão de uma idéia útil à pátria, e que até durante os passeios, Quaresma não se desligava dos problemas que o preocupava relativo à situação do Brasil.
O principal objetivo do major era concretizar suas idéias para auxiliar o crescimento da pátria, que segundo ele, precisava de pequenos melhoramentos para ser superior a Inglaterra, isto porque constatava uma superioridade nacional de nossa realidade geográfica (clima, minerais), natural (animais úteis, frutos) e social (gente hospitaleira e valente).
O estudo da realidade brasileira, transforma o major subsecretário do Arsenal de Guerra num patriota exaltado, a ponto de custar-lhe um internamento num hospício.
O personagem central que no princípio é favorável a Floriano Peixoto, volta-se contra ao governo após sua estada no hospício, que antecede sua prisão, sendo enviado posteriormente para a Ilha das Cobras, onde morreu fuzilado a mando dos dirigentes da República.
O pessimismo e a autocrítica do protagonista perante o fracasso, se vendo num final patético e triste, permanece sonhador a partir de contradições que tragicamente o faz continuar acreditando na humanidade e no futuro dos homens.
Triste fim!

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