sexta-feira, 27 de novembro de 2009

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Ehhhh... fim de ano tah chegando! o que fazer da vida?

Texto final - ohhh dificuldade

Universidade da Percepção

O mais inovador modelo de ensino superior inaugura um avançado e diferencial sistema
de aprendizagem, para ocupar a necessidade emergencial de suprir a enorme carência da humanidade. Está disponível a todos que possuem bom senso e disponibilidade de tempo, para mergulhar em si mesmo, e assim garantir sucesso.
A Universidade da Percepção, como foi batizada, possui ilimitadas vagas, mas tem o vestibular mais rigoroso já existente. Nela, todos são tratados de forma igualitária: pessoas iguais são tratadas de forma igual, e pessoas desiguais de forma desigual.
O “eu” de cada um, ao entrar na universidade será respeitado, permitindo que todos possam atingir seus objetivos, tanto quanto não ser cobaia da cegueira conveniente. Isso porque, os olhos servirão como uma ferramenta de sensibilidade, e não de prazer consolador. Onde a retina deverá registrar imagens, e a consciência se encarregará em armazenar todo o conhecimento extra-sensorial adquirido.
É importante salientar que o novo modelo de universidade tem a pesquisa experimental como base para ampliar a percepção, ou seja, é imprescindível praticar a vida. Sendo contra-indicado para pessoas impacientes, pois a aprendizagem requer exercício diário de serenidade, para gradativamente obter sensatez na maneira de pensar e posteriormente agir.
Assim como outros ambientes de aprendizagens convencionais, na Universidade da Percepção também se exige materiais para aprofundar o conhecimento. Neste caso, serão substituídos pelos sentidos: Olfato, Audição, Tato, Gustação e Visão.
O Olfato possibilitará lembrar através do cheiro, podendo desenvolver sensações imediatamente. Ele deverá recordar situações agradáveis ou de alerta, facilitando a reconstituição de acontecimentos que tenham sido marcantes.
A Audição será um instrumento para compreensão da importância do silêncio, e terá a difícil missão de fazer a triagem da relevância da parte descritiva dos sons captados. Conscientemente se absorverá informações que fortaleçam a evolução do “eu”, ignorando as ideias das improváveis hipóteses.
O Tato servirá de transporte para os sentimentos, permitindo gestos concretos de emoção, após qualquer tipo de estímulo; mas que pode ser “castigado” por meio da consciência. Embora que os gestos sejam sempre baseados na visão, ou da falta dela; o sentimento tátil é quem vai expor e divulgar a capacidade de empatia, tolerância e entendimento na administração das sensações.
A Gustação se limitará em distinguir o gosto. Ensinando a saborear o doce e a reconhecer o amargo, para assim transmitir algum tipo de experiência oralmente de maneira realmente estimulante. Desta forma a empatia será retratada com um código capaz de agregar algum tipo de conhecimento relevante adiante.
A Visão é quem requer maior atenção. Por intermédio dela é que se terá o poder de enxergar os problemas, gerando a verdadeira independência para se alcançar um grande empreendimento futuro. Para esse sentido extraordinário ser benéfico para a evolução da percepção, é indispensável não viciar a visão com o hábito, oferecendo todos os dias uma nova forma de deslumbramento e descobrimento, que não precisa ser exatamente de algo novo.
A Universidade da Percepção surgiu para resgatar e comprovar que a capacidade de cada “eu” é que define a condição estrutural final diante das contradições que a sociedade oferece. Sendo uma instituição que fabrica os inconfundíveis gênios, ou seja, pessoas que ampliam sua percepção a partir do conhecimento adquirido pela prática da vida, e que por conta disso, têm a capacidade de se diferenciar favoravelmente perante a humanidade.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

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Apatia total hoje... Ou seja, nada para escrever!!!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Ohhhhhhh musiquinha boa!!!!!!!

"Telhado de paris" - Almir Sater

Venta Ali se vê
Aonde o arvoredo
Inventa um ballet
Enquanto invento aqui pra mim
um silêncio sem fim
Deixando a rima assim
sem mágoas, sem nada
Só uma janela em cruz
E uma paisagem tão comum
Telhados de Paris
Em casas velhas, mudas
Em blocos que um engano fez aqui
Mas tem no outono uma luz
Que acaricia essa dureza cor de giz
Que me estranha, mas não sabe se é feliz
E não entende quando eu grito
Eu tenho os olhos doidos, doidos, doidos
doidos, doidos, doidos, doidos
Meus olhos doidos, doidos, doidos,
doidos, doidos, doidos
São doidos por ti
O tempo se foi
há tempos que eu já desisti
Dos planos daquele assalto
de versos retos, corretos
E o resto de paixão, reguei
Vai servir prá nós
E o doce da loucura
E teu, é meu
Prá usar a sós

Eu tenho os olhos doidos, doidos, doidos
doidos, doidos, doidos, doidos, já vi, mon cherri
Meus olhos doidos, doidos, doidos,
doidos, doidos, doidos
São doidos por ti
Venta Ali se vê
Aonde o arvoredo
Inventa um ballet
Enquanto invento aqui pra mim
um silêncio sem fim...

!!!!!!!!

Não sei o que é pior?
Me odiar por amar alguém, ou, não me amar por amar alguém...

terça-feira, 17 de novembro de 2009

gosto de escrever escutando músicas que se fazem triste quando eu as escuto, daí fico escrevendo palavras soltas....

A canção era suave...
Teu cheiro... Boas lembranças!
Brinquei com seus cabelos
Mordi seus lábios...
O seu olhar era minha estrela predileta.

Anjos abençoavam...
Cadê você agora?
Eu quero estar em seus pensamentos
seu corpo não mais me interessa.
Tua alma me pertence...
E agora saiba que estas livre para ir...

Do fundo da minha alma...rsrsrs

Quando a chuva molha o chão e os teus lábios condenam meus pensamentos, tudo se transforma em nada, e nada resta se não querer tudo...
Quando lágrimas escorrem sem pudor no meu rosto, e na boca se fazem salgadas, nada substitui o tudo, e tudo que resta é contentar-se com o nada...

O dia em que a luz acabou!

“Apagão” é um termo que designa interrupções ou falta de energia elétrica frequente, como blecautes de maior duração; debutou no Brasil e ganhou enorme popularidade nos dois últimos anos do governo de Fernando Henrique Cardoso; causando o “escândalo do apagão”, motivando uma crise nacional. Na época, o presidente foi incansavelmente responsabilizado pela falta de planejamento e investimento para a geração de energia no país.
Se nos anos de 2001 e 2002, FHC se referisse aos fatos que provocavam a falta de energia como “micro incidente”, teria sido no mínimo acariciado por um rolo compressor. “Sorte” que o clima emocional é outro, pois “os brasileiros” agora além de ter petróleo; Copa do Mundo em 2014; Olimpíadas em 2016; aumento no Bolsa família, também aderiram uma “surpreendente”, ilimitada e inacreditável compreensão para com “os companheiros”.
Com uma percepção “Lulistica”, podemos dizer que agora importamos “marolinhas”, e estamos convencidos que o Brasil é uma potência, capaz até de exportar “apagão”.
Na terça-feira passada, durante um “micro incidente”, modelos contendo as últimas tecnologias no que se referem a aparelhos celulares, serviram de lanterna para a população se guiar para seus lares. Iluminação que não foi suficiente para encontrar Dilma Vana Rousseff, causando preocupação para o Ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, que abandonado teve que romper a faixa... Digo... Romper o silêncio, e inaugurar o “multiapagão” sozinho.
A escuridão transnacional criou uma preocupação linguística, necessitando de uma nova dinâmica para classificar corretamente os diferentes “micros incidentes”; seria mais ou menos assim: Blecaute (sinônimo de apagão – racionamento voluntário de energia elétrica, criado por FHC); Megablecaute (Mega apagão – apoio forçado ao Protocolo de Kyoto – observação: não ocorre na China e nos EUA); e os Gigablecautes (Giga apagão – protesto divino após Galileu... Ops... Digo, o herege Lula dizer que a Terra é redonda).
O jornal americano The New York Times, usando uma fotografia copiada da manchete do jornal Zero Hora, que mostrava a praia de Copacabana às escuras; acompanhado pelo site espanhol El País, e o jornal argentino Clarín; apenas se limitou a noticiar o enorme contingente de pessoas “beneficiadas” com o “apagão”, fazendo uma propaganda modesta do PIB (Produto Inexplicável Brasileiro – observação: not made in Paraguay ).
Pena que o Paraguai não possui equipamentos bélicos para vender para o Brasil, pois uma reportagem feita pelo ABC Color (emissora paraguaia) chamada de “Ciberpiratas en apagón” ajudou a fazer a publicidade do “PIB” internacionalmente, favorecendo uma especulação internacional imediata, após reforçar a vulnerabilidade da energia no Brasil; uma atitude que merece um estreitamente de amizade com os paraguaios, ou pelo menos facilidades na venda do apagão (pagamento em prestações quem sabe!).
Segundo a “Ciberpiratas en apagón”, por intermédio de um suposto ex-agente da CIA (também ex-funcionário do Domingo Legal), revelasse a grande possibilidade de hackers terem sido responsáveis pelos apagões de 2005 e 2007 no Brasil. Essa hipótese, de hackers serem os responsáveis pela falta de luz em vários estados brasileiros e principalmente na capital Assunção e Ciudad del no Paraguai, foi considerada por muitos sites internacionais, como: Bloomberg, Sky News, National Public Radio e Wall Street Journal.
A insinuação que a reportagem paraguaia fez, não durou, e caiu por terra como um raio; ou melhor, sendo substituída por um raio à culpa pelo tal apagão. O que foi justo... Só porque existiram deflagrações no sistema elétrico do Afeganistão e Iraque durante as guerras; e que durante este ano, sites da Casa Branca, Departamento de Estado e Pentágono foram retirados do ar pelos piratas da Internet; não significa que o Brasil possa estar vulnerável a estes irrelevantes acontecimentos. Talvez quem fez a reportagem pense que o Rio de Janeiro esteja em Guerra; pura falta de informação.
O efeito dominó causado pela “queda” simultânea de três linhas de energia, além de atingir 18 estados brasileiros, diminuiu a luz do fim do túnel do PT (Partido dos Trabalhadores), que era mantida acessa por Dilma V. Rousseff; Ministra que temendo a tempestade de raios, abandonou o posto de guardião da luz após deduzir que havia acontecido um “curto-circuito” (nota-se que mesmo abalada, a ministra não deixa de usar uma linguagem petista, diminuindo um pouquinho os acontecimentos para não preocupar a população); assustada, nem se importou com o telhado do PT que era destruído por forte granizo e se escondeu das terríveis forças atmosféricas.
Dilma, coitada, frágil e demonstrando sérios traumas psicológicos após finalmente ser encontrada pela “terrível” mídia, apresentou agressividade, mas mesmo assim conseguiu aclarar a tranquilizar a todos com informações incontestáveis.
A mídia, mesmo tendo conhecimento que para o presidente petista, o copo esta sempre meio cheio, e nunca meio que esvaziando, publicou as palavras do positivista Lula: “Se o sistema é robusto como nós acreditamos que seja, [...] por que então nós tivemos este desastre.” (se prestar atenção, notará que a frase esta um pouco distorcida pela implacável mídia; repare que o “nóis” é substituído por nós...). Ah... O presidente não parou por ai; além de mostrar enorme indignação, após impressionante esforço para esquecer o “mensalão” e a crise do senado, ampliou ainda mais o seu sempre crescente prestígio, e acrescentou pioneiramente e surpreendendo a todos que: “A Terra é redonda”.
Bom... Como eu não nasci amarela; logo não faço parte da família do Homer Simpson; então, tenho uma hipótese bem mais racional sobre os fatos ocorridos, e acredito que as chances dela ser aceita são muito grandes. É o seguinte... Penso que provavelmente o apagão se deu devido a radiação proveniente de Kripton, com o propósito de afetar o Superman (traduzindo da linguagem cibernética – PT), lançando brutalmente inúmeros heróis voadores sobre torres de energia na terra, proporcionando pequenininhos incidentes no reino da fantasia. A “Mulher Maravilha” vulga Dilma, enfraquecida se perdeu durante 40 horas e foi encontrada nervosa e atormentada; já o “Goku”, também cariosamente chamado de “Lobão”, se desequilibrou e caiu da nuvem, ficando tonto por horas após a queda. Mas nada mais sério que isso ocorreu, pois Zeus, mesmo tendo apenas quatro dedos, está convencido que é capaz de lançar raios e destruir Kripton; e já tem até um potente grito de guerra para assustar a todos: “Viadutos, raios que os partam!” (os hackers foram incapazes de decodificar a linguagem cibernética utilizada).
Enfim, embora minha hipótese não seja reconhecida por jornalecos internacionais, pelo menos serve para desagradar meu avô, pois ele sempre dizia: “Se não sabe, não assopra”.



Clarisa de Abreu
Turma VI - Jornalismo

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Pensamento Insustentável

O Protocolo de Kyoto é um acordo internacional que estabelece metas de redução de gases poluentes para os países industrializados. O protocolo foi finalizado em 1997, baseado nos princípios de Tratados da ONU sobre Mudanças climáticas, de 1992; mas entrou em vigor somente em 16 de fevereiro de 2005.
Os cientistas que estudam o clima se dividem em dois grupos: os que defendem, e os que desacreditam no acordo. Pois o acordo sugere uma redução de 5% nos países industrializados, o que para a grande maioria dos cientistas o corte deveria de ser de 60%. Para alguns poucos cientistas, o protocolo é defendido e dado como importante, pelo fato de estabelecer linhas gerais para futuras negociações sobre o clima, mesmo aparentando praticamente um impacto inútil em relação a critica situação climática.
Os EUA – País que emite mais que um quarto dos gases com efeito estufa do mundo, se retirou do Protocolo de Kyoto em 2001, devido ao presidente George W. Bush alegar que a implementação prejudicaria a economia do país, se tornando um dos grandes obstáculos para se atingir o objetivo idealizado e sugerido pelo protocolo.
Sendo assim, o Protocolo de Kyoto que necessitaria reunir os responsáveis por pelo menos 55% das emissões, deixa evidente que mesmo que não seja o suficiente para evitar drásticas mudanças climáticas; é o suficiente para provar que a maior dificuldade ou problema é conseguir conscientizar as diferentes sociedades sobre a necessidade de haver um desenvolvimento sustentável.

Intocável

Mesmo sem ter hora certa para chegar, ele sempre chega. Ignora idade e objetividade. Encontra-se em toda parte e se localiza em lugar nenhum. Insaciável e explosivo. Inesperado e esperado. Pode demorar a chegar, mas certamente em algum momento da vida de cada um, ele passará e deixará algum tipo de marca; ou talvez cicatrizes, tamanha sua intensa grandiosidade.
Quando o coração estiver em êxtase; ora se acreditará estar no paraíso, ora se pensará estar no inferno; então, o excesso contra a falta poderá desconhecer o limite do ilimitado sentimento que é o Amor.
Com o coração em erupção, descobre-se que as sensações bem como as diversas formas de expressá-las são intermináveis.
Perdido em um mundo desconhecido, lentamente se aprende que nunca se sabe de nada. E então o pouco se engrandece, onde um olhar pode indicar futuro e um beijo o fim.
Enfim, variedades de histórias clamam por sua presença, sempre com introdução, talvez desenvolvimento, e certamente um fim.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Trabalho de Português

Livro: “A vida que ninguém vê”
Autora: Eliane Brum

“A vida que ninguém vê” já havia sido ensaiada numa histórica série de reportagens sobre a Coluna Prestes em 1993, onde Eliane Brum expõe fielmente o cenário ocorrido 70 anos antes, mostrando o lado nada heróico do ocorrido.
Praticamente intimada por Marcelo Rech, Eliane em 1998 aceita o convite para escrever crônicas da vida real. O que resultou 46 colunas, que durante 11 meses “vitaminaram” a edição de sábado do jornal Zero Hora, onde a autora já era consagrada, principalmente por apresentar textos que eram um misto de crônica, reportagem e coluna.
Em 2000, Eliane deixa o Rio Grande do Sul, levando na bagagem o Prêmio Esso de Jornalismo – Regional Sul de 1999, para ir trabalhar na revista Época.
Em 2006, para a felicidade geral dos seus fãs, surge o livro “A vida que ninguém vê”, contando histórias de pessoas comuns, que retrata vidas de pouco reconhecimento de forma incomum, pois a sensibilidade extra-sensorial da autora não permite escapar nada, tudo é absorvido e transmitido de maneira subjetiva e suavemente irônica.
A empatia da colunista, ou cronista, ou ainda repórter, proporciona uma viagem a “mundos” desconhecidos, permitindo ao leitor ter a possibilidade de visualizar o que muitas vezes é incapaz de ver ou de imaginar.
Eliane Brum, entre a tragédia e o desmerecimento, escolhe o subjetivo equilíbrio; e lentamente faz com que pessoas invisíveis assumam um formato perceptível, fascinando, tamanho a grandiosidade exaltada de cada vida.
Acredito que a Teoria da Culpabilidade de Jean Paul Sartre é totalmente ignorada por Eliane, pois é impossível ter prazer diante da sutil escolha de cada adjetivo que desenha delicadamente as contradições que o mundo oferece diante de cada protagonista.
A história de um doce velhinho, que havia sido vítima do holocausto e que morava na época em Porto Alegre, onde trabalhava fazendo comerciais, vendendo a imagem de seu rosto angelical, que sobreviveu mesmo presenciando o lado desumano dos Homens; foi a crônica que mais me chamou atenção, principalmente pela perfeita descrição do protagonista, pois ler “Cabelos de neve, barba de merengue” no princípio do texto é o suficiente para a imaginação “pisar” no acelerador.
Personagens como o “Sapo” remetem não só a cegueira coletiva, como também a capacidade adquirida de quem seria a vítima, em aceitar com veemente esmero o “papel” degradante que a sociedade insiste em deixar vago.
Em “O Menino do Alto” se poupa detalhes sobre o personagem, que deveria ser central para os olhos dos leitores, mas que impacta tão rapidamente que nem o nome deixa escapar. A suposta falta de intimidade reflete a ideia de que todos sabem da existência do “menino”, o que não bastaria para mudar a situação.
Em “O Conde Decaído”, nem o concreto foge da visão de Eliane, que ao contrário da história anteriormente citada, o Conde é reconhecido pelo nome e um sobrenome que relembra um passado de glória, e nem com isso consegue obter um merecido respeito da sociedade.
A história de Camila em poucas palavras poderia ser resumida numa frase: - O aborto diário da sociedade. Entre a inocência ferida e a frágil esperança, a jornalista escolheu a ironia, e não fechou a janela para a tragédia repetidamente ignorada nas ruas de Porto Alegre.
“O exílio” é a crônica mais “pesada” na minha percepção, pois do começo ao fim, ou do fim ao ponto final, mostra a ausência do viver até o deixar a vida. A sensação de vazio e incapacidade é literal nos personagens.
Em “Adail quer voar”, já se pode dizer que a felicidade sobressaí perante qualquer contradição que a vida possa oferecer. “Õ, negão” como é chamado carinhosamente pelos segundo ele (Adail), “doutores”; é aquele tipo de pessoa que faz qualquer um se questionar: “O cara tem uma vida desgraçada e como pode viver distribuindo sorrisos?”. Eu não sei se foi pelo indiscutível carisma, mas Adail garantiu duas crônicas nas páginas do livro de Eliane, onde na primeira encantou com seus sonhos, e na segunda conquistou mais que pessoas, “Ô Negão” conquistou o tão esperado voo de avião.
“A história de um olhar” é a primeira crônica sequencial do livro, onde se mostra como salvar um “mundo”, neste caso, o mundo de Israel, que segundo o senso comum era desregulado das ideias, o que não foi obstáculo para a professora Eliane ter a sua própria verdade. Neste conto possui um dos trechos mais perfeitos, se é que o perfeito pode ser reconhecido:
O mundo é salvo pelo avesso da importância. Pelo antônimo da evidência. O mundo é salvo por um olhar. Que envolve e afaga. Abarca. Resgata. Reconhece. Salva.
Inclui. (BRUM, E. “A vida que ninguém vê”. 2006. p.22)

“Um Certo Geppe Coppini” retrata a vida do sempre isento e esperto morador de Anta Gorda, cidade onde Geppe costumava marcar presença em todos os eventos, de velório à casamento. A irreverência do protagonista garante frases que fazem um cortejo à loucura, como por exemplo: “Nem o Diabo quer a metade”, “Se quiser cortar lenha, corta. Eu me vou porque se o governo me descobre trabalhando me corta o soldo”.
“Enterro de pobre” acredito que seja contada propositalmente de forma quase que como “mais uma notícia”, ou melhor; não se insinua sentimento algum, como se pobre não os tivesse; e tamanha é a brutalidade do cotidiano dos sobreviventes que o texto mesmo que revelando apenas fatos, é possível sentir indignação por trás das palavras que denotam a realidade.
“O Colecionador de almas sobradas” conta a vida de Oscar Kulemkamp, um arquiteto dos restos e sobras de vidas consumidoras. Trabalhando como garçom quase que maior parte de seus 85 anos, Oscar também servia como combatente do esquecimento, reinventando o mundo que lhe restou, tecendo sua colcha de retalhos com a vida dos outros.
Em “O cativeiro”, no princípio fala da fuga de um macaco chamado Alemão, que após conseguir a tão “tentada” liberdade, assume uma postura de outro animal, sendo mais uma vítima do meio, e abrindo mão da liberdade para se comportar como homem. A crônica também oferece passaporte a uma visita ao zoológico de Sapucaia do Sul, sem glamour e sem volta, proporcionando uma análise do cotidiano ao mostrar que os animais em cárcere se humanizam, e regridem ao comportamento padronizado da sociedade.
Na crônica “Eva contra as almas deformadas” revela-se a ironia dos requisitos para ser uma vítima; Eva não foi “a coitada” como apontavam, embora sofresse com a sentença do preconceito e da intolerância da humanidade; expondo que as vítimas foram quem acreditou que o requisito que condena é a imperfeição.
“O gaúcho de cavalo-de-pau” conta uma história que poderia entrar para o folclore riograndense. Vanderlei, o Dom Quixote de bombacha, busca as coxilhas da Expointer desde que as descobriu, é visto como louco até perante o olhar das vacas premiadas, mas ninguém em sã consciência teria a petulância de dizer que falta autenticidade ao ver o peão insano a trote na garupa de uma vassoura.
O livro “A vida que ninguém vê” de Eliane Brum é o resultado da prática de sua frase: “metade (talvez menos) de uma reportagem é o dito, a outra o percebido. O olhar é um ato de silêncio”. Alias várias frases de Eliane são sensivelmente extravagantes, como: “Tudo que somos de melhor é resultado do espanto”; “Olhar dá medo porque é risco”; “Se estivermos realmente decididos a enxergar não saberemos o que vamos ver”; “Tudo é um jeito de olhar”; “Cada um é único, uma padrão que não se repete no universo”; “Se de perto ninguém é normal, de perto ninguém é herói”.
Enfim, em meio “A voz” que ensandece, e os protestos de “Frida”, Eliane Brum esbanja criatividade no uso gentil das palavras. A autora não só escreve o que não foi supostamente enxergado, ela traduz com palavras sentimentos que ninguém costuma aparentemente sentir. Pois o livro expõe o não-fato, a antinotícia, os anonimatos, os desacontecimentos; sugerindo o absolutamente extraordinário, mergulhando no invisível; transformando a retina viciada; não colocando a culpa na indiferença justificada; desviando do herói e chegando ao Homem.