Escrever é minha maior paixão, e foi escrevendo que descobri a mim. Porque a forma mais simples de traduzir realmente quem sou é por meio de palavras vindas de mim mesma...
quinta-feira, 25 de março de 2010
Olhos fechados
No ápice do amor, o mundo sobrava. A perfeita simetria deixava tudo linear, onde nada nos cercava, nada importava...
De repente o irreal tomou conta de minha fábula, e do sonho acordei...
Despreocupado amor, que me consome ao brincar, zomba do tempo, e desmerece minhas cicatrizes...
A dor sem sutileza limita meus pensamentos, num pesadelo de fúria, e das nuvens mergulho... O chão parecia estremecer, e logo, todo peso do mundo caiu sobre mim.
Imprevisível realidade que impõe lembrar de ti, ensandece meus sentidos, carregados de lembranças com tudo que me agride.
A escuridão cegava minhas mãos, que sem sentir acabaram com toda dor. Enquanto meus pulsos sangravam, de seu rosto vagarosamente esquecia...
Por um instante meus olhos eu abro, mas já era tarde demais... Então perco os sentidos de fato, e desisto de mim...
Overdose
Senti o sangue esquentar minhas mãos, mas por sorte não eram de meus pulsos, e sim de meu rosto...
Em busca de felicidade em pó, mais uma vez fui e fiz vítimas, e por isso, como animal de circo, atrás das grades me vejo.
Havia cheirado uma, duas, três... sei lá quantas vezes a tal felicidade... A felicidade é algo irresistível! E por causa de tal ato de egoísmo, “involui”, e como fera me comportei; matei para consumir, e assim “sobreviver”.
Não lembro o que fiz exatamente, mas ouvi alguém dizer que eu matei alguém, não sei quem, nem como, mas se agora soubesse, o resultado seria o mesmo.
Ter felicidade custa caro, e não me importo se Deus não quis me fornecer; pois no meu mundo não grandioso, mas perfeito, se possui felicidade concreta disponível... Entendo que ela pode me matar, mas pior seria morrer de tristeza em um mundo grandioso.
Meu corpo parece estar todo molhado, não sei se é de suar frio ou quente, mas tenho certeza que o dia, talvez à noite, esta muito fria; pois quando urinei involuntariamente, vi subir uma fumaça em torno de minha cintura.
Olho as grades em volta, que rodam feito um carrossel desgovernado, e um vazio profundo, imerso a ansiedade parece me torturar. Minha boca espuma, mas raiva não tenho... Meu corpo estremece e treme sobre o chão; tento gritar, mas a voz não quer sair...
Fantasmas me assombram, num delírio com minhas próprias criações...
Estendo minhas mãos, e sobre elas deixo escapar meus ideais; como se fossem grãos de areia diante do vento...
Paro de sentir... Felicidade! É você?
Em busca de felicidade em pó, mais uma vez fui e fiz vítimas, e por isso, como animal de circo, atrás das grades me vejo.
Havia cheirado uma, duas, três... sei lá quantas vezes a tal felicidade... A felicidade é algo irresistível! E por causa de tal ato de egoísmo, “involui”, e como fera me comportei; matei para consumir, e assim “sobreviver”.
Não lembro o que fiz exatamente, mas ouvi alguém dizer que eu matei alguém, não sei quem, nem como, mas se agora soubesse, o resultado seria o mesmo.
Ter felicidade custa caro, e não me importo se Deus não quis me fornecer; pois no meu mundo não grandioso, mas perfeito, se possui felicidade concreta disponível... Entendo que ela pode me matar, mas pior seria morrer de tristeza em um mundo grandioso.
Meu corpo parece estar todo molhado, não sei se é de suar frio ou quente, mas tenho certeza que o dia, talvez à noite, esta muito fria; pois quando urinei involuntariamente, vi subir uma fumaça em torno de minha cintura.
Olho as grades em volta, que rodam feito um carrossel desgovernado, e um vazio profundo, imerso a ansiedade parece me torturar. Minha boca espuma, mas raiva não tenho... Meu corpo estremece e treme sobre o chão; tento gritar, mas a voz não quer sair...
Fantasmas me assombram, num delírio com minhas próprias criações...
Estendo minhas mãos, e sobre elas deixo escapar meus ideais; como se fossem grãos de areia diante do vento...
Paro de sentir... Felicidade! É você?
quarta-feira, 17 de março de 2010
Escravos da Cor ou Incolor?
A mistura do branco com o preto, historicamente, vira sangue. E como se fosse o submundo da cultura, foge às telas. Pois nem tudo que resta, possui a capacidade de se transformar em blues.
Quando dois elementos se envolvem, uma mistura surge; mesmo não se complementando, mesmo sem visar algum objetivo, mesmo sem saber o porquê da experiência.
O resultado da mistura, um dia se fez duvidosa, e com traços de um, e características de outro, o resultado da união dos dois elementos, recriou a “desobra”, ou simplesmente um “anti-quadro”.
A cobaia da vez nascera num laboratório sem luz, introduzido sem intenção e com má intenção, formando um “ser” sem propósito.
O erro desmoralizante sucumbiu e amedrontou as senhoras, e como se fosse praga ou castigo, se fez espalhar por todo canto.
O tronco julgava o que as correntes não resolviam. A ordem ignorava o progresso, e assim muitos erros foram produzidos.
Damião, o despropósito concebido, era saudável como o pai, porém, preto como sua mãe. Herdeiro do mau hábito, não costumava opinar; e com o destino praticamente definido por classificações e não conclusões, foi um entre muitos experimentos do barão.
O “Crioulo” era motivo de vergonha, e por ter sido geneticamente Y e não X, o pequeno varão de 10 anos, provocava assombro em “Sinhá”.
Sinhá era quase perfeita: prendada, branca, herdeira dos bons costumes; apenas pecou em não ser capaz de procriar bons frutos. Ofereceu ao barão uma única filha, que herdou sobrenome, mas não atenção. Ao contrário do não branco, que atraia muita atenção do barão, mas mesmo assim, era símbolo de desprezo, e por isso, sem sobrenome.
Damião era a zebra da fazenda, lembrando o bicho exótico na sua estranha fusão; o que para mãe representava uma frustrante sorte e um insubstituível azar.
Mesmo com o olhar preso ao chão, era impossível não perceber a inocência de Damião. Possuidor de uma simplicidade que por vezes parecia até desmerecer a si, como gente. Verdadeiro escravo do preto, e fruto do branco; o magrelo crioulinho era dono de contornos marcantes que lembravam a mãe, e de detalhes e gestos que não renegavam o pai.
O aprendiz de escravo era assim, fácil de descrever... Nasceu para ser assim, cresceu assim, multiplicou-se assim, e morreu assim... Um despropósito de zebra, que nem se quer cativou um branco... Um branco registro de papel...
Quando dois elementos se envolvem, uma mistura surge; mesmo não se complementando, mesmo sem visar algum objetivo, mesmo sem saber o porquê da experiência.
O resultado da mistura, um dia se fez duvidosa, e com traços de um, e características de outro, o resultado da união dos dois elementos, recriou a “desobra”, ou simplesmente um “anti-quadro”.
A cobaia da vez nascera num laboratório sem luz, introduzido sem intenção e com má intenção, formando um “ser” sem propósito.
O erro desmoralizante sucumbiu e amedrontou as senhoras, e como se fosse praga ou castigo, se fez espalhar por todo canto.
O tronco julgava o que as correntes não resolviam. A ordem ignorava o progresso, e assim muitos erros foram produzidos.
Damião, o despropósito concebido, era saudável como o pai, porém, preto como sua mãe. Herdeiro do mau hábito, não costumava opinar; e com o destino praticamente definido por classificações e não conclusões, foi um entre muitos experimentos do barão.
O “Crioulo” era motivo de vergonha, e por ter sido geneticamente Y e não X, o pequeno varão de 10 anos, provocava assombro em “Sinhá”.
Sinhá era quase perfeita: prendada, branca, herdeira dos bons costumes; apenas pecou em não ser capaz de procriar bons frutos. Ofereceu ao barão uma única filha, que herdou sobrenome, mas não atenção. Ao contrário do não branco, que atraia muita atenção do barão, mas mesmo assim, era símbolo de desprezo, e por isso, sem sobrenome.
Damião era a zebra da fazenda, lembrando o bicho exótico na sua estranha fusão; o que para mãe representava uma frustrante sorte e um insubstituível azar.
Mesmo com o olhar preso ao chão, era impossível não perceber a inocência de Damião. Possuidor de uma simplicidade que por vezes parecia até desmerecer a si, como gente. Verdadeiro escravo do preto, e fruto do branco; o magrelo crioulinho era dono de contornos marcantes que lembravam a mãe, e de detalhes e gestos que não renegavam o pai.
O aprendiz de escravo era assim, fácil de descrever... Nasceu para ser assim, cresceu assim, multiplicou-se assim, e morreu assim... Um despropósito de zebra, que nem se quer cativou um branco... Um branco registro de papel...
segunda-feira, 15 de março de 2010
texto narrativo - Port. e redação!
O Trovador Solitário
O pensamento de reunir palavras que traduzam sentimentos obscuros e singelos, fazendo agradar até os olhos indiferentes é minha obsessão. Tento por meio de um isolamento proposital, desvendar e decodificar minha própria consciência e explorá-la até conseguir capturar informações que possam ser traduzidas em palavras, para quem sabe um dia marcar as páginas de algo esplendido.
Cercado por paredes brancas, fico por vezes a sonhar com um texto perfeito e a me questionar, em como atingir este objetivo: Deveria escrever algo estruturalmente grandioso, ou de grande aceitação popular? Expressar humildemente contextos inteligentes, ou apenas descrever subjetivamente situações que exijam uma aguçada percepção e sensibilidade?
Sei lá... Só sei que é unicamente no meu quarto, que me vejo a vontade comigo mesmo, e assim atrevo-me a pegar a mim mesmo como cobaia, e tentar desvendar alguns detalhes de mim, e logo, talvez de outras pessoas, para então escrever algo que todos possuem em comum, mas por aprisionarem em seus quartos, acreditam ser peculiar a si.
A tarde terminava, e a timidez do sol já era percebida através da vidraça, quando fiquei a lembrar de alguns escritores geniais que ao mergulhar numa solidão em busca de inspiração, acabaram caindo em seu próprio abismo, mas que conseguiram mesmo se auto-flagelando, preencher a carência de muitos “ningueins”. Alias, porque “ninguém” não pode ficar no plural e ser considerado correto? Humm...
Depois de fazer todo aquele ritual que meus olhos impõem para que de repente eu tenha a capacidade de observar por um outro ângulo, deitei em minha cama feita ou desfeita, e tentei encontrar um tema apropriado para sobressair em meu texto. Meu ritual não tem nada a ver com de repente rezar para receber uma entidade ou coisa parecida, ele se baseia em colocar tudo em seu devido lugar, não dando a menor chance de esquecer nem si quer uma porta do guarda-roupa entre aberta, qualquer imagem assim, provocaria minha distração frequente.
Ao olhar meu guarda-roupa exagerado em detalhes: como se fora feito para cultuar Aleijadinho; mas extremamente bem fechado, comecei a relaxar e a cruzar diversos temas em pequenos rabiscos num caderno velho. Com o braço sem apoio, a letra saia pior que o convencional.
Insisti e variei posições na cama, todas logicamente erradas; depois de algum tempo, decidi então relevar a anatomia da minha coluna e sentar corretamente na cadeia que estava à frente a uma escrivaninha atulhada de livros; e que alias, mal tinha espaço para eu escrever.
A quantidade de livros no quarto nunca foi um problema, apenas eles tinham o direito de ficar onde bem entendessem. Pois não importavam onde estivessem, eles nunca me causavam a sensação de bagunça, e sim de companhia.
Mesmo respeitando todo aquele ritual imposto por meus olhos, eu não conseguia escrever nada, o que me fazia pensar que ter vontade nem sempre é o bastante para conseguir ter o que ainda se faz ausente e necessário...
Entre diversos títulos de grandes obras literárias, viajei e fui buscar algo comum entre todos. Subtrair a ostentação, parecia pré-requisito entre os autores de grande prestígio, deixando claro que a auto-suficiência era equilibrada, o que fazia parecer que todos os autores estavam tão distantes do que escreviam, que eram até capazes de manipular e insinuar qualquer sentimento; mas ao mesmo tempo, tão perto dos personagens que sabiam exatamente o que cada um suponha sentir; como se tudo fosse dosado, para nada sobrar.
O fato de nada sobrar é o que sempre deixava a sensação de que algo continuava a faltar, como se o volume “dois” fosse complementar algo que no “um” foi vago, mas que no “três” já anunciado, vai demonstrar que continua inacabado; E que no quatro a conclusão vai se parecer com o um, e no fim o resultado vai ser que não há resolução. Muitos dizem: “Para se pensar grande, é preciso ler os grandes”; na verdade isso só quer dizer que quanto mais se ler, mais terá que ler para encontrar alguma resposta; pois nada foi concluído, e para concluir tudo é preciso ler tudo que não foi concluído. Filosoficamente frustrante!
Melhor esquecer esse veneramento pelos grandes e juntar-se aos “pequenos”... Investir nesta mania de culpar o sistema, usando palavrões que comumente servem como manifesto coletivo, explorado pelo conformismo social, e que após tal postura de exaltação grotesca se faz iludir e até ter a sensação de dever cumprido, mesmo sabendo que fora apenas uma ameaça “sem futuro”, digno como espetáculo factual pela mídia, mais depois de esnobado é esquecido ou substituído por algo mais “atual”. Antes de insistir, eu já me pego sendo traído por minha personalidade. Não consigo tornar uma mistura homogênea possível, texto inteligente e grosseiro, pois encarnar pseudônimos já não faz mais sucesso e eu não pretendo responder pela minha possível mentira, já que a verdade depende da aceitação do maior número de pessoas influentes.
Nossa! As horas se passaram e eu nem as percebi! O breu já parece esconder toda a vida. Mesmo o relógio acusando ser outro dia, a insônia é do dia anterior e a necessidade de tomar um café amargo, me faz regular um pequeno intervalo para mim e ir até a cozinha para prepará-lo. Indo até a cozinha, reparei que não era só a minha luz que estava ligada naquela madrugada, em pé ao lado da janela, e enquanto a água aquecia, pensei: “Estariam todos procurando algo que sabem faltar, e não conseguem saber o que é?” Bom... Mais uma pergunta que jamais terei resposta! Também reparei no céu, mas se Deus mora realmente no Céu, nesta noite ele talvez tenha mostrado porque o egoísmo parece ser hereditário, pois as estrelas e a lua foram escondidas, e então, como ter uma inspiração divinamente perfeita?
Com o café em punho, voltei ao meu quarto, sentei novamente, e retornei a todas as páginas já escritas. As difusões de letras desabrochavam e debochavam de mim. Entre um gole de café, e uma distração para olhar o nada. Bebi todo o café que continha numa imensa xícara, dando força a insônia que já dava indícios que iria castigar minha enorme frustração.
Depois do “pretinho básico”, surgiu a descoberta do talvez grande problema: “Eu não tinha amores platônicos como instrumento para aumentar minha inspiração, esta que nem fora aprimorada por uma grande desilusão amorosa, então qual seria, ou onde estaria a minha ferramenta impulsionadora? Como eu não havia pensado nisto antes...”
Cogitei em “encher a cara” como muitos já fizeram para escrever, para suprir a falta de amor ou desamor, mas pensei: “Quem bebe não é para esquecer?” ou “A bebida entra e a verdade sai?”. Como meu único problema é não saber o que escrever, talvez eu esqueça desta ideia de querer escrever, ou perceba que na verdade eu nem precise escrever? Ou... Sei lá...
O “ou” insinua alternativas, estas que nesta madrugada não vieram para facilitar minha inspiração. Na realidade, alternativas funcionam como correntes solvidas em democracia, oferecendo ilusória sensação de igualdade, mas que na verdade sugerem oferecer caminhos que nunca chegam num mesmo lugar.
Minhas opções se repetem ao que a outros já foi ofertado. Acho que idealizar um texto que contivesse argumentos que faria o Diabo querer me ter como advogado, e que deixaria cair por terra a potente persuasão de Hitler é algo inatingível, pelo menos com estas estúpidas opções que insisto em enxergar. Droga! - Preciso de mais café...
A cena se repete... Levanto, destranco a porta do meu quarto, para chegar na minha também cozinha para fazer outro café. Enquanto aquece a água, novamente olho através da vidraça. Muitas das luzes anteriormente acesas, agora já descansavam.
Café em punho mais uma vez, e lá vou eu de novo... Entro no meu quarto, fecho a porta, sento, recordo o que havia escrito... Bebo o café como se fosse vinho, e nos intervalos tento reorganizar a frases perdidas que ficam a incomodar minha cabeça.
Neste momento relembro algumas situações, como a sessão de palavras e a harmonia de seus sons perfeitos, disponíveis durante apressados ou despreocupados passos a caminho de qualquer lugar, e que se não fosse perdido por minha insensível memória, talvez essas palavras se complementassem sem pudor e sem me torturar. Se não fosse a postura de querer parecer igual e não estranho devido a atos incomuns, frases autênticas, inundadas a sentimentos verdadeiros ou possivelmente enganosos seriam registrados em recibos, guardanapos, ou ainda nos esquecidos diários. Então, como eu agora posso ter a petulância de pré-programar minha própria criatividade? Teria como transformar minha criatividade em produto?
O relógio se faz ouvir diante de um silêncio extremo. Talvez a resposta para minhas indagações! A claridade do céu mostra já estar amanhecendo, mas minha insônia diz não ser hora de dormir ainda, e implora por mais papel, mais palavras, mais café, mais...
Como já passará das 6hs da manhã, decido ir até a padaria e comprar algo para comer. Algo ou qualquer coisa que não deixe meu estômago reclamar por atenção.
A percepção retraída enquanto trilho algumas quadras até chegar à padaria, me fazem questionar qual seria o assunto que provocaria imensa e inesquecível discussão na sociedade? Se o dia estivesse cinza e a chuva caísse nos intervalos, talvez causasse uma sensação de ausência e apatia, e logo, uma explosão de sentimentos na ponta da caneta. Talvez! Como uma disputa entre racional e inconsciente! Talvez...
Andar pelas ruas e sentar nas praças para analisar as pessoas já foi utilizado por um reconhecido escritor brasileiro, qual era o nome dele mesmo? Humm... Ufa! Finalmente cheguei em casa novamente! Vinte minutos na rua, e o sentimento de insegurança já me fazia perturbar... Tranquei com todas as travas possíveis dispostas na porta, guardei as comprar e fui ao quarto.
Desisti de comer o que havia comprado, fui deitar, pois minha cabeça parecia pesar. Desinibido ao modo de acomodar-se, senti a cama rodar enquanto escutava Nirvana, onde Kurt Cobain cantava: “... estou perdido entre fórmulas de felicidade, e agora preciso morrer...” Estranho ouvir o que não foi escrito exatamente para si, mais que se encontra com o vazio que outra pessoa diz ter, mesmo sem ter a menor intenção de falar que é isso é normal, e sim de desabafar algo que acredita ser somente seu...
Rodeado por livros que me pertencem, mas que não fazem parte de mim, deixo meus olhos fecharem e já não tendo força para abri-los novamente, fico apenas a delirar, ou sonhar; como seria fácil não concluir ideias, e simples se não fosse necessário ter sempre argumentação para se fazer eficiente. Fazer o leitor enxergar as vírgulas como pequenas distrações de quem escreveu sem contar alguns detalhes, ou que cada “ou” não significasse opção, e sim deslumbramento por mais uma maneira de complementar algo que teima parecer inacabado.
Meus sentidos começam a parar de funcionar e eu adormeço pensando como seria perfeito finalizar dizendo que não há conclusões, apenas fatos a serem ditos, talvez irrelevantes, mais não menos merecedores de serem escritos; e que são registrados somente porque as páginas em branco seduzem quem não sabe escrever o exato, mas que quando esta com insônia, ouvir Nirvana e escrever qualquer coisa parece ser legal. E que mesmo não querendo ser possuído pela insignificância que a insônia faz sentir, não tem a menor intenção em conter seu insaciável apreço por café...
Enfim, não sei o que escrever, nem o que pensar, e mesmo que soubesse, agora necessito dormir!
O pensamento de reunir palavras que traduzam sentimentos obscuros e singelos, fazendo agradar até os olhos indiferentes é minha obsessão. Tento por meio de um isolamento proposital, desvendar e decodificar minha própria consciência e explorá-la até conseguir capturar informações que possam ser traduzidas em palavras, para quem sabe um dia marcar as páginas de algo esplendido.
Cercado por paredes brancas, fico por vezes a sonhar com um texto perfeito e a me questionar, em como atingir este objetivo: Deveria escrever algo estruturalmente grandioso, ou de grande aceitação popular? Expressar humildemente contextos inteligentes, ou apenas descrever subjetivamente situações que exijam uma aguçada percepção e sensibilidade?
Sei lá... Só sei que é unicamente no meu quarto, que me vejo a vontade comigo mesmo, e assim atrevo-me a pegar a mim mesmo como cobaia, e tentar desvendar alguns detalhes de mim, e logo, talvez de outras pessoas, para então escrever algo que todos possuem em comum, mas por aprisionarem em seus quartos, acreditam ser peculiar a si.
A tarde terminava, e a timidez do sol já era percebida através da vidraça, quando fiquei a lembrar de alguns escritores geniais que ao mergulhar numa solidão em busca de inspiração, acabaram caindo em seu próprio abismo, mas que conseguiram mesmo se auto-flagelando, preencher a carência de muitos “ningueins”. Alias, porque “ninguém” não pode ficar no plural e ser considerado correto? Humm...
Depois de fazer todo aquele ritual que meus olhos impõem para que de repente eu tenha a capacidade de observar por um outro ângulo, deitei em minha cama feita ou desfeita, e tentei encontrar um tema apropriado para sobressair em meu texto. Meu ritual não tem nada a ver com de repente rezar para receber uma entidade ou coisa parecida, ele se baseia em colocar tudo em seu devido lugar, não dando a menor chance de esquecer nem si quer uma porta do guarda-roupa entre aberta, qualquer imagem assim, provocaria minha distração frequente.
Ao olhar meu guarda-roupa exagerado em detalhes: como se fora feito para cultuar Aleijadinho; mas extremamente bem fechado, comecei a relaxar e a cruzar diversos temas em pequenos rabiscos num caderno velho. Com o braço sem apoio, a letra saia pior que o convencional.
Insisti e variei posições na cama, todas logicamente erradas; depois de algum tempo, decidi então relevar a anatomia da minha coluna e sentar corretamente na cadeia que estava à frente a uma escrivaninha atulhada de livros; e que alias, mal tinha espaço para eu escrever.
A quantidade de livros no quarto nunca foi um problema, apenas eles tinham o direito de ficar onde bem entendessem. Pois não importavam onde estivessem, eles nunca me causavam a sensação de bagunça, e sim de companhia.
Mesmo respeitando todo aquele ritual imposto por meus olhos, eu não conseguia escrever nada, o que me fazia pensar que ter vontade nem sempre é o bastante para conseguir ter o que ainda se faz ausente e necessário...
Entre diversos títulos de grandes obras literárias, viajei e fui buscar algo comum entre todos. Subtrair a ostentação, parecia pré-requisito entre os autores de grande prestígio, deixando claro que a auto-suficiência era equilibrada, o que fazia parecer que todos os autores estavam tão distantes do que escreviam, que eram até capazes de manipular e insinuar qualquer sentimento; mas ao mesmo tempo, tão perto dos personagens que sabiam exatamente o que cada um suponha sentir; como se tudo fosse dosado, para nada sobrar.
O fato de nada sobrar é o que sempre deixava a sensação de que algo continuava a faltar, como se o volume “dois” fosse complementar algo que no “um” foi vago, mas que no “três” já anunciado, vai demonstrar que continua inacabado; E que no quatro a conclusão vai se parecer com o um, e no fim o resultado vai ser que não há resolução. Muitos dizem: “Para se pensar grande, é preciso ler os grandes”; na verdade isso só quer dizer que quanto mais se ler, mais terá que ler para encontrar alguma resposta; pois nada foi concluído, e para concluir tudo é preciso ler tudo que não foi concluído. Filosoficamente frustrante!
Melhor esquecer esse veneramento pelos grandes e juntar-se aos “pequenos”... Investir nesta mania de culpar o sistema, usando palavrões que comumente servem como manifesto coletivo, explorado pelo conformismo social, e que após tal postura de exaltação grotesca se faz iludir e até ter a sensação de dever cumprido, mesmo sabendo que fora apenas uma ameaça “sem futuro”, digno como espetáculo factual pela mídia, mais depois de esnobado é esquecido ou substituído por algo mais “atual”. Antes de insistir, eu já me pego sendo traído por minha personalidade. Não consigo tornar uma mistura homogênea possível, texto inteligente e grosseiro, pois encarnar pseudônimos já não faz mais sucesso e eu não pretendo responder pela minha possível mentira, já que a verdade depende da aceitação do maior número de pessoas influentes.
Nossa! As horas se passaram e eu nem as percebi! O breu já parece esconder toda a vida. Mesmo o relógio acusando ser outro dia, a insônia é do dia anterior e a necessidade de tomar um café amargo, me faz regular um pequeno intervalo para mim e ir até a cozinha para prepará-lo. Indo até a cozinha, reparei que não era só a minha luz que estava ligada naquela madrugada, em pé ao lado da janela, e enquanto a água aquecia, pensei: “Estariam todos procurando algo que sabem faltar, e não conseguem saber o que é?” Bom... Mais uma pergunta que jamais terei resposta! Também reparei no céu, mas se Deus mora realmente no Céu, nesta noite ele talvez tenha mostrado porque o egoísmo parece ser hereditário, pois as estrelas e a lua foram escondidas, e então, como ter uma inspiração divinamente perfeita?
Com o café em punho, voltei ao meu quarto, sentei novamente, e retornei a todas as páginas já escritas. As difusões de letras desabrochavam e debochavam de mim. Entre um gole de café, e uma distração para olhar o nada. Bebi todo o café que continha numa imensa xícara, dando força a insônia que já dava indícios que iria castigar minha enorme frustração.
Depois do “pretinho básico”, surgiu a descoberta do talvez grande problema: “Eu não tinha amores platônicos como instrumento para aumentar minha inspiração, esta que nem fora aprimorada por uma grande desilusão amorosa, então qual seria, ou onde estaria a minha ferramenta impulsionadora? Como eu não havia pensado nisto antes...”
Cogitei em “encher a cara” como muitos já fizeram para escrever, para suprir a falta de amor ou desamor, mas pensei: “Quem bebe não é para esquecer?” ou “A bebida entra e a verdade sai?”. Como meu único problema é não saber o que escrever, talvez eu esqueça desta ideia de querer escrever, ou perceba que na verdade eu nem precise escrever? Ou... Sei lá...
O “ou” insinua alternativas, estas que nesta madrugada não vieram para facilitar minha inspiração. Na realidade, alternativas funcionam como correntes solvidas em democracia, oferecendo ilusória sensação de igualdade, mas que na verdade sugerem oferecer caminhos que nunca chegam num mesmo lugar.
Minhas opções se repetem ao que a outros já foi ofertado. Acho que idealizar um texto que contivesse argumentos que faria o Diabo querer me ter como advogado, e que deixaria cair por terra a potente persuasão de Hitler é algo inatingível, pelo menos com estas estúpidas opções que insisto em enxergar. Droga! - Preciso de mais café...
A cena se repete... Levanto, destranco a porta do meu quarto, para chegar na minha também cozinha para fazer outro café. Enquanto aquece a água, novamente olho através da vidraça. Muitas das luzes anteriormente acesas, agora já descansavam.
Café em punho mais uma vez, e lá vou eu de novo... Entro no meu quarto, fecho a porta, sento, recordo o que havia escrito... Bebo o café como se fosse vinho, e nos intervalos tento reorganizar a frases perdidas que ficam a incomodar minha cabeça.
Neste momento relembro algumas situações, como a sessão de palavras e a harmonia de seus sons perfeitos, disponíveis durante apressados ou despreocupados passos a caminho de qualquer lugar, e que se não fosse perdido por minha insensível memória, talvez essas palavras se complementassem sem pudor e sem me torturar. Se não fosse a postura de querer parecer igual e não estranho devido a atos incomuns, frases autênticas, inundadas a sentimentos verdadeiros ou possivelmente enganosos seriam registrados em recibos, guardanapos, ou ainda nos esquecidos diários. Então, como eu agora posso ter a petulância de pré-programar minha própria criatividade? Teria como transformar minha criatividade em produto?
O relógio se faz ouvir diante de um silêncio extremo. Talvez a resposta para minhas indagações! A claridade do céu mostra já estar amanhecendo, mas minha insônia diz não ser hora de dormir ainda, e implora por mais papel, mais palavras, mais café, mais...
Como já passará das 6hs da manhã, decido ir até a padaria e comprar algo para comer. Algo ou qualquer coisa que não deixe meu estômago reclamar por atenção.
A percepção retraída enquanto trilho algumas quadras até chegar à padaria, me fazem questionar qual seria o assunto que provocaria imensa e inesquecível discussão na sociedade? Se o dia estivesse cinza e a chuva caísse nos intervalos, talvez causasse uma sensação de ausência e apatia, e logo, uma explosão de sentimentos na ponta da caneta. Talvez! Como uma disputa entre racional e inconsciente! Talvez...
Andar pelas ruas e sentar nas praças para analisar as pessoas já foi utilizado por um reconhecido escritor brasileiro, qual era o nome dele mesmo? Humm... Ufa! Finalmente cheguei em casa novamente! Vinte minutos na rua, e o sentimento de insegurança já me fazia perturbar... Tranquei com todas as travas possíveis dispostas na porta, guardei as comprar e fui ao quarto.
Desisti de comer o que havia comprado, fui deitar, pois minha cabeça parecia pesar. Desinibido ao modo de acomodar-se, senti a cama rodar enquanto escutava Nirvana, onde Kurt Cobain cantava: “... estou perdido entre fórmulas de felicidade, e agora preciso morrer...” Estranho ouvir o que não foi escrito exatamente para si, mais que se encontra com o vazio que outra pessoa diz ter, mesmo sem ter a menor intenção de falar que é isso é normal, e sim de desabafar algo que acredita ser somente seu...
Rodeado por livros que me pertencem, mas que não fazem parte de mim, deixo meus olhos fecharem e já não tendo força para abri-los novamente, fico apenas a delirar, ou sonhar; como seria fácil não concluir ideias, e simples se não fosse necessário ter sempre argumentação para se fazer eficiente. Fazer o leitor enxergar as vírgulas como pequenas distrações de quem escreveu sem contar alguns detalhes, ou que cada “ou” não significasse opção, e sim deslumbramento por mais uma maneira de complementar algo que teima parecer inacabado.
Meus sentidos começam a parar de funcionar e eu adormeço pensando como seria perfeito finalizar dizendo que não há conclusões, apenas fatos a serem ditos, talvez irrelevantes, mais não menos merecedores de serem escritos; e que são registrados somente porque as páginas em branco seduzem quem não sabe escrever o exato, mas que quando esta com insônia, ouvir Nirvana e escrever qualquer coisa parece ser legal. E que mesmo não querendo ser possuído pela insignificância que a insônia faz sentir, não tem a menor intenção em conter seu insaciável apreço por café...
Enfim, não sei o que escrever, nem o que pensar, e mesmo que soubesse, agora necessito dormir!
sexta-feira, 5 de março de 2010
...
Eu tenho muita sorte, ou muito azar !!!!!!
A resposta disso vai demorar uma semana...
Mudando de assunto...kkkkk
Nossa! toh com tanta coisa para ler atrasada, que vou ter que descobrir uma técnica de ler dois livros ao mesmo tempo... E pior que depois de longa temporada sem ler bosta nenhuma, interpretar os livros que possuem parágrafos de duas páginas, parece até castigo...
Pior que quando a coisa engrena, saiu de férias novamente, e ai tudo se repete de novo... Sempre a mesma merda!!!
A resposta disso vai demorar uma semana...
Mudando de assunto...kkkkk
Nossa! toh com tanta coisa para ler atrasada, que vou ter que descobrir uma técnica de ler dois livros ao mesmo tempo... E pior que depois de longa temporada sem ler bosta nenhuma, interpretar os livros que possuem parágrafos de duas páginas, parece até castigo...
Pior que quando a coisa engrena, saiu de férias novamente, e ai tudo se repete de novo... Sempre a mesma merda!!!
quinta-feira, 4 de março de 2010
...
Um novo semestre começa na faculdade, e eu que desta vez cheguei para variar algumas semanas atrasada, toh perdidaça, tenho tanta coisa atrasada para ler que nem sei por onde começar... Mas ateh que valeu a pena chegar atrasada desta vez!!! Tenho o que fazer por uns dois fins de semana!!!
A turma aumentou, mas as amizades continuam as mesmas por enquanto... No começo todo mundo fingi ser o q não é, e por isso vou esperar mais um tempo para fazer contato com as novas criaturas, digo... colegas...
Eu já estava me costumando em PVh, pois me adapto rápido ao meio, que quando cheguei de volta, ateh estranhei, 17 dias fora, pareceram bem mais...
A turma aumentou, mas as amizades continuam as mesmas por enquanto... No começo todo mundo fingi ser o q não é, e por isso vou esperar mais um tempo para fazer contato com as novas criaturas, digo... colegas...
Eu já estava me costumando em PVh, pois me adapto rápido ao meio, que quando cheguei de volta, ateh estranhei, 17 dias fora, pareceram bem mais...
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